sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

Cinza feito café

 CINZA FEITO CAFÉ

O café sempre foi pungente.

Não acredito em como as pessoas conseguem apreciá-lo.

Nem em mim mesmo, acredito.

Ah! o café. Aquele aroma revigorante que preenche todas as manhã,

tardes, e algumas noite.É falso.

São apenas nossas papilas gustativas, e a fome da noite, devorando.


Doutrinando.

O nosso cérebro para o rítmico, acordar e desejar, o café. Nunca fiz o meu próprio. Primeiro minha mãe; Os rapazes da república; Agora a padaria a duas quadras.

Nunca gostei realmente, apenas desejo.

Essa palavra com quatro letras, fonemas curtos que todos, todas, e a tudo, animais e plantas, dela necessitam, para estarem vivos,  sentirem-se vivos.

Fome. Café.



Andando duas quadras. Ele sempre me moveu, mas não gosto. Apenas o gosto.

 

Todo dia pelo mesmo caminho, não que fosse [àquela altura da vida] um adepto da rotina, ou tradições, do tradicionalismo, só o café.

As calçadas pequenas da cidade do interior mesclavam-se dissonantes com os novos prédios de seis andares. Sabia décor quantos passos até a padaria, eram **** mil, e, se algum dia contei até mil foi só por tédio, gostava de enganar meu cérebro, a maneira que arrumei para deixar os dia menos monótonos.

Afinal, mono tons, possuíam uma beleza sublime. Um só tom. Sem mudar, complexos, simples, agudos e fortes. 


Cinza, tinha decidido que o dia seria cinza.

 

Combinava bem com o preto do café, e o céu doentio da tormenta que se aproximava.

Tormentosamente aquele momento seria gravado em meu velino.

 

Lembro-me com clareza, era cinza. Sim, tenho certeza, a camisa era cinza como o céu.

Cabelos desgrenhados de quem acorda de supetão, e põem-se a andar.

Andar. Continuei.

Os olhos eram nítidos também, espelhos reflexivos.

Profundos, tediosos.

Foram exatamente *** passos, segundos, conto até hoje.

Duas portas abertas.

Não adentrei, mas olhei pelo olho mágico reverso.

Ou era ela que espiava. Não tenho certeza, porém, despi-me.

E a ela também.

Sem o cinza, vi sua alma. Foi um contato, uma relação.

Um fazer amor com os olhos.

Rápido, sereno, intenso, **segundos. uma vida inteira.

Vi-me as soleiras da porta - estava dividido entre a lealdade que devia à padaria do outro lado da rua, como coisa real por fora, e à estranha sensação de que tudo aquilo era sonho como algo real por dentro.

Sentei-me na mesa do fundo das cantoneiras, onde o esquadro de vidro refletir-me-ia.

- Olá, oh Esteves - respondeu-me:

- Olá.

Com a xícara de café longo nas mãos.

O conheço, ele me conhece, é o Esteves que trabalha aos balcões da padaria na manhã. Perplexo comigo mesmo, o poema que li na noite passada agora tomava forma em mim.

Genialidade curta de quem vivia de poemas.

Curtos, efêmeros. Como a vida, como aquele encontro.

 

O mundo, cinza, talvez tivesse outra cor – azul – o poeta já havia ensinado que azul, era cor dos desejos, ou a que viria se não existissem tantos.


Cinza, era a camisa, e os olhos.


Calcinados como o céu, naquela manhã, queria o céu assim. Mas foram os olhos que tive.

A vida não se resumiria.

Não.

Sempre fiz resumos, apesar de pôr preferência, ler poemas.

Estes, eram subjetivos demais para fazê-los.

Escrevia apenas registros curtos que lembravam-me a totalidade.

Aquilo, contudo, havia sido de outro jeito, outro gênero, textual.

Era poesia.


Não sei quanto tempo os linguistas definiriam por momento efêmero, talvez só o tempo que leva para se dizer, E-F-E-M-E-R-I-D-A-D-E, contudo, apenas ouvi que seria a brevidade da vida. Sendo assim, já havia vivido todo esse tempo naqueles poucos passos.

Poderia morrer, feliz.

E se morresse? Se deixasse, logo eu morreria, aqueles olhos morreriam – PARE – já chega deste poema! [Não quero dever lealdades inúteis, tais quais o poeta.]

Não posso ser mais que eu, não há espaços para heterônimos em mundo mono tons.

Mas, foi diferente.

Aqueles cabelos, como alguém teria coragem de pisar fora do prédio, e pôr-se à andar com os rebeldes cabelos.

Tão démodé, lembrei da adolescência, um resquício.

Ah!  - sim, a tarde talvez seria mais azul

 [Não avançando no tempo, mas foi].


...

A cantoneira, estofada já possuía meu formato, uma forma, molde. Moldar.

Juntar pelotas de barro, girar a roda e construir.

Construir.

                                            Verbos são sempre espirituosos, cheios de vida, movimento, 

ali só houve espaço para um adjetivo impróprio, cinza.

 

Moldei-me, construí-me, e no final.

O café fumegante, quase havia esquecido de contar, café e pão com manteiga na chapa, só ** centavos. Mantinha minha fidelidade, meu vício.

Um gole longo, e devorar um gorda mordida.

Mordi, não só pão e gordura.

A gordura da monotonia já havia deixado meu cérebro obeso.

Aquele exercício rítmico da manhã, o secará. Agora, uma máquina de produzir possibilidades.

Li, ouvi falar, ou qualquer uma destas frases que antecedem um conhecimento aleatório, que nos faz parecer intelectuais, que existiam geradores de improbabilidades.

O meu, inverso, das [im]probabilidades, gerava prováveis reencontros.

Planos miraculosos.

Mais um gole e o último pedaço.


Ajeitei-me ao acento.


Agora seria uma questão de segundos, e já estaria imaginando se na próxima manhã os caminhos novamente cruzariam-se.

E na semana seguinte.

Nutria uma certeza, exageradamente infantil, que o mundo não seria mais cinza.

Contudo acinzentaria se nenhuma das probabilidades estivesse disposta a tornar-se real.

Construí-me. Moldei-me, e no final.


O último gole e o estalido da xícara na mesa, resgataram-me do estranho culto ao devaneio da manhã.

Olhei-me no espelho novamente.


quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

"Boas vindas! ao Ofício Invisível: Um Mundo de Ghostwriting e Copywriting"

Boas vindas! 

Olá, como você está? Que bom que chegou até aqui!

 Neste lugar você encontrará textos para leituras rápidas e agradáveis, poesias que trarão cor ao seu mundo e crônicas cheias de reflexões! Também contamos com um espaço reservado à profissão de Ghostwritter e copywriter, com dicas e métodos de escrita, além de exemplos do meu trabalho - ideal para as publicações da sua empresa e negócio!

Fique à vontade!


    Vamos ao básico? Chamo-me Maikon John Berto, graduado em Letras com habilitação em Português e Literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC, 2015), com especialização em linguagem e educação a distância pelo mesmo centro de ensino. Atuo como professor de Língua Portuguesa e Literatura há quase 15 anos, encontrei na escrita uma paixão que transcende os limites da sala de aula. Somado a isto, trabalho como ghostwriter  (escrita e redação

    Este espaço é um refúgio criativo, onde compartilho minicontos, crônicas e poesias que nascem da interseção entre a linguagem rica da literatura e a simplicidade do cotidiano.


Explorando Palavras e Sombras:

    Em "Escritos e Silhuetas Literárias", cada texto é uma jornada curta e intensa, mergulhando em emoções, reflexões e experiências que ecoam na essência da condição humana. Os minicontos são pequenos universos que revelam grandes significados, enquanto as crônicas exploram a beleza cotidiana que muitas vezes passa despercebida.     A poesia, por sua vez, é a melodia que entrelaça as palavras, pintando quadros vívidos com a tinta da linguagem.



Nos Bastidores Literários: Ghostwriting e Reviews:

    Além das criações pessoais, este espaço também serve como portfólio para meu trabalho como ghostwriter/copywriter. Explore exemplos de textos criados para diversos sites, abrangendo uma variedade de temas. Da sutileza poética à clareza objetiva, demonstro a versatilidade e habilidade de adaptar minha escrita a diferentes necessidades e audiências.

    Adicionalmente, encontre reviews detalhados de produtos e aplicativos, revelando minha capacidade analítica e aprofundamento em avaliações críticas. Cada análise é uma oportunidade de compartilhar insights valiosos e orientar leitores na tomada de decisões informadas.


Conecte-se e Explore:

    Convido você a explorar o universo de "O ofício invisível", mergulhar nas palavras que fluem como rios e nas sombras que dão forma às histórias. Sinta-se à vontade para entrar em contato, compartilhar suas impressões e acompanhar esta jornada literária.


    Agradeço a sua visita e espero que desfrute da viagem através das páginas deste espaço dedicado à magia das palavras.


Maikon John


Cinza feito café

  CINZA FEITO CAFÉ O café sempre foi pungente. Não acredito em como as pessoas conseguem apreciá-lo. Nem em mim mesmo, acredito. Ah! o café....